(em rosa pra combinar com a capa do disco hehehehe)
Esse disco foi considerado o segundo melhor disco dos anos 90, atrás somente do OK Computer do Radiohead (que mais pra frente eu darei uma comentada) na Pitchfork Media, e chegou ao 219º lugar nas 500+ da Rolling Stone. Estou falando do disco Loveless, do My Bloody Valentine. Nesse disco, a gravadora do MBV gastou nada mais nada menos que 350 mil libras, que hoje, em reais, seria em torno de 760 mil mais ou menos. Isso para uma gravadora indie é muita grana e quase levou a Creation Records (a gravadora do MBV) à falencia. Apesar de todo o investimento, o disco não emplacou nos USA e chegou ao 24º lugar nos charts ingleses. A banda é inglesa-irlandesa e na época da gravação do Loveless eles eram Kevin Shields (guitarra/voz), Bilinda Butcher (guitarra/voz), Colm O'Ciosoig (baterista) e Debbie Googe (baixista). Shields escreveu praticamente todas as musicas, exceto a instrumental "Touched", que é de autoria do baterista O'Ciosoig.Chega de história, vamos ao que interessa. A música! O disco é extremamente aéreo, vago, intenso... Emocional e não racional. É um disco pra sonhar, acordado ou não. A mixagem foi feita da seguinte maneira: Baixo e bateria ficam no fundo, os vocais ficam no meio do sanduba sonoro e as guitarras ficam em camadas espalhadas pela musica. O esquema é a famosa parede sonora (que foi idealizada por Phil Spector, produziu desde os Beatles até Ramones)que nada mais é do que uma tecnica que consiste em tocar os instrumentos num local que reverbere naturalmente e gravar tudo com alguns microfones colocados no alto da sala, depois mixando tudo junto, criando-se camadas de som. O toque de gênio no Loveless é a voz de Bilinda, angelical, sussurrada, linda. Na faixa I Only Said, Shields canta em dueto com Bilinda. E como um bom disco de Shoegazing, em baixo de toda a massa sonora há uma melodia extremamente pop (garanto que quando você ouvir esse disco você vai cantarolar várias músicas por vários dias).
Mas deixando de lado o que eu penso, vamos falar das letras. As letras são meio surreais, meio pé no chão (meio calabresa, meio muzzarela) falando de amor, sexo e sonhos. Elas são um caso a parte e por esse fato eu irei colocar alguns trechos traduzidos pra vocês:
1- Only Shallow: Macio/Como um travesseiro/Toque ela lá/Onde ela não se arrisca/em algum lugar
2- Loomer: Garotinha/Em seus vestidos de festa/Não gostam/Nada de lá
4- To here Knows When (uma das minhas favoritas do disco): Beije/Seu medo/Seu botão vermelho/Cai de sua boca
5- When you Sleep: Quando olho pra você/Oh, não sei o que eu sinto/De vez em quando/E voce me faz rir
6- I Only Said (riff de guitarra lindo): Deitar sobre o céu vermelho de lá/Deitar sob ela, eu quero ela lá
7- Come In Alone: Venha sozinha/Você irá amar/Deixar ir/E eu vou/Te virar/Quando suas esperanças/Me derem dúvidas
8- Sometimes (a minha favorita): Não sei, talvez você não possa me amar agora/ Aqui sozinho, quando me sinto mal também/Lá, onde eu espero amor verdadeiro de você
9- Blown A Wish (exemplo de dream pop perfeito): Mostre-me todas as suas coisas favoritas/Mostre-me que voce é toda minha também/Faça um pedido/Eu darei tudo pra você
10- What You Want: Vire-se e sorria/Não, eles não podem ver através de teus olhos
11- Soon: Acorde/Não tema/Eu quero amar/Você (...)
Esse disco é de músicas para viajar e sonhar, literalmente. Então, se você não ouviu essa jóia lilás dos anos 90, corra atrás e ouça pois valerá cada milésimo dos 48 minutos e 37 segundos de disco.
