Hoje tirei um tempo pra ouvir algumas coisas que estavam na minha lista de espera.
Peguei o disco da Banda Black Rio chamado Maria Fumaça. Funk ótimo, apesar que muitos não vão gostar por as vezes conter um leve gosto de samba no fundo (mas isso não é problema algum, galera!). Tem ótimas levadas de baixo, tem uma mistura muito divertida de funk e soul com jazz e samba. Não se preocupem, rockers de plantão. Esse disco instrumental deve ser ouvido por vocês sem preocupação pois ninguém vai achar que você está ouvindo um sambão e assim ser caçoado por seus amigos.
Outro disco bom que ouvi hoje foi o Album do Mantronix, banda de electro dos anos 80. Batidas ótimas da minha bateria eletrônica favorita (a TR-808) e bons vocais. Já fazia algum tempo que eu tentava baixar esse disco e finalmente consegui. Eu sei que baixar coisas na internet é feio, mas como eu conseguiria ouvir esse disco? Duvido que tenha sido lançado no Brasil.
Enfim, essas são as dicas de hoje. Espero voltar amanhã com um review!
E vocês se perguntam: poxa, mas titãs não é pós-punk, é rock fulero, bla bla bla?
E eu respondo cabeça dinossauro, espírito de porco!
O final do ano de 1985 foi conturbado para dois integrantes dos Titãs: Arnaldo Antunes e Toni Bellotto. Os dois foram presos por terem sido encontrados com heroína. Arnaldo foi considerado traficante e Bellotto como consumidor. Os dois foram liberados por serem réis primarios, mas Antunes ficou alguns dias preso. A banda não estava vendo muito, os dois discos anteriores (Televisão e Titãs) foram um relativo fracasso e a banda procurava por sua identidade no meio do turbilhão de bandas que apareciam no Brasil naqueles anos. Tudo isso foi transportado para o clima do álbum.
Então em 1986, no estúdio Nas Nuvens, famoso por ter sido palco de gravações de tantos outros bons disco, os Titãs dão o primeiro passo para a gravação do seu melhor disco.
Com ataques diretos e ferrenhos aos pilares institucionais de nosso país e letras incríveis, nas quais a maioria foi escrita por Arnaldo Antunes, se despontando como o letrista mais importante da banda. 8 das 13 faixas são assinadas por Arnaldo.
A capa já é um convite à fúria contida no disco. A obra é de Leonardo DaVinci e se chama "Expressão de um Homem Urrando". Na contra capa do vinil também está outra obra de DaVinci chamada "Cabeça Grotesca".
O disco já abre com uma música adaptada de um cerimonial dos índios do Xingu para afugentar os maus espíritos. A faixa título é totalmente tribal e o clipe é muito engraçado, gravado em 8mm de maneira independente. Dizem que a letra nasceu no ônibus, na qual alguém (não sei quem) começou com cabeça dinossauro, outro falou pança de mamute e terminou com espírito de porco.
Em seguida mais urros com AA UU, letra sobre rotina e loucura (Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como / Está na hora de acordar, está na hora de deitar).
Igreja é um tapa na cara dessa instituição e acredito que Nando Reis não cante mais essa música atualmente. Ele vai cantando de tudo o que não gosta (Não gosto de padre / Não gosto de madre / Não gosto de Frei) e afirma, ao final, "não tenho religião".
Polícia é o retrato da indignação de Toni Bellotto. Com letras questionando a autoridade e a proteção que é dever da instituição, a faixa já foi regravada pelo Sepultura e muitas outras bandas punks de garagem por aí.
Estado Violência mostra o lado letrista de Charles Gavin, o que é muito legal. A letra é ótima, a música é ótima. "Estado violência, deixem-me em paz!"
A Face do Destruidor é uma pequena faixa constituída de um poema, acredito eu, concreto. É uma porrada na orelha que se iguala a sujeira do Ratos de Porão, na minha opinião. Pra quem diz que Titãs só toca música meia boca, essa música é a prova de que todos tocavam bem.
E falando em Porrada, essa faixa é pura brincadeira e ironia. "Porrada / Nos caras que não fazem nada". E essa música é tão boa só pelo fato das brincadeiras como "Parabéns para as meninas da torcida adversária" e "A todas as senhoras muita consideração".
Mas, depois de tanto levar pancada você fica cansado. Tô Cansado é um ode ao perdedor, àquele que desistiu das coisas porque elas nunca vão pra frente. É o ode àquelas pessoas que ficam indignadas depois de tanto apanharem de coisas tão bestas da vida. E a brincadeira com as palavras é sensacional, vide "Tô cansado de me cansar / Tô cansado de descansar".
Final do Lado A, começo do Lado B. Bichos Escrotos tinha a radiodifusão e execução pública proibidas pela censura, o que não impediu dessa música se tornar muito famosa apenas pelos belos versos "Oncinha pintada / zebrinha listrada / coelhinho peludo: / Vão se foder! / Porque aqui na face da Terra / só bicho escroto é o que vai ter!".
Família é uma das faixas que eu menos gosto de ouvir desse disco e mesmo assim ela é ótima. Apesar de não ter sido escrita por Nando Reis, ele traduz perfeitamente o clima da faixa, um reggae estranho. Atacando outro pilar institucional, Família narra estórias que poderiam acontecer no cotidiano.
Em seguida vem Homem Primata, outra faixa muito executada nas rádios e um dos hits absolutos dos Titãs. A primeira estrofe está dentro de todas as mentes no país: "Desde os primórdios / Até hoje em dia / O homem ainda faz / O que o macaco fazia". Nem preciso falar mais.
Dívidas talvez seja o ponto cego do disco. Não é uma faixa memorável (eu estou ouvindo o disco e só vou lembrar dela assim que chegar na faixa). A faixa é um reggae também, como Família, mas um pouco mais pobre de história. A letra retrata a época em que foi composta, aonde o dinheiro desvalorizava muito rapidamente (apesar de que esse disco vendeu bastante por conta de uma súbita valorização do cruzado, cruzeiro, não me lembro).
O Que é a faixa mais emblemática desse disco. Reza a lenda que a gravação dessa faixa durou 12 horas. A letra poética de Arnaldo é sensacional e é um trava língua certeiro. É a minha favorita do disco, isso porque usa bateria eletrônica, tem um baixo espetacular de Nando Reis e guitarras ótimas no maior estilo New Wave, além das eventuais percursões no meio da música.
Não tenho noção de quantas pessoas ainda não ouviram esse disco maravilhoso do rock brasileiro. Se você é uma dessas, apesar de você já ter ouvido algumas dessas músicas com certeza, vá e compre, baixe, tanto faz!
O que não é o que não pode ser que o não pode ser o que não é o que não pode ser que não é.
Apesar de ter sido no dia 26/06, vou comemorar agora.
Eu tinha me esquecido completamente do dia que eu comecei a trabalhar esse blog. Não é dos melhores, nem dos mais atualizados, mas pretendo deixar ele em forma.
Prometo que vou postar mais vezes por semana aqui.
Hoje mesmo volto mais tarde com uma resenha nova. Já volto!
00:00 - Akira S & as Garotas que Erraram - Swing Basses Series 2 01:36 - Lobão e Os Ronaldos - Teoria da Relatividade 04:15 - Fellini - Teu Inglês 07:50 - Capital Inicial - Leve Desespero 11:41 - Plebe Rude - Minha Renda 14:17 - As Mercenárias - Pânico 16:32 - Varsóvia - Noites 20:00 - Harry - Genebra 23:18 - Fuligem Sépia - A Balada da viuva Branca 27:52 - Drama Beat - Platonic
Faz algum tempo que não resenho nenhum disco. Não tive "tempo" (vontade) de faze-lo. Estou mais preocupado com o podcast, que entre amanhã e quinta estará no ar com mais uma edição.
Eu poderia ficar colocando um monte de link pras bandas amigas (Silent Party, Fuligem Sépia e Drama Beat), mas ah... vou colocar o link da minha.
Ainda procuro um sentido em fazer música. Ainda procuro um sentido em ser jornalista.
Agora uma foto legal dos anos 80, a época em que (pelo menos ao que parece) as bandas tinham lugar pra tocar e eram, até certo ponto, respeitadas. Além de criativas, claro. (Aonde mais surgiria uma banda New Wave brega com 8 integrantes?)
Isso mesmo! Já está no ar o novo episódio do Ecos Fantasmas. Ainda estou experimentando como se apresenta um programa de rádio e por isso ainda está bem meia boca. Mas as músicas são boas!
00:03 - Hiroshima - Information Society 04:44 - Atari Baby - Sigue Sigue Sputnik 10:06 - Dish It Out - James Chance & the Contortions 13:23 - Cry - The Birthday Party 16:08 - I Broke Up (SJ) - Xiu Xiu 19:25 - Saídas Ocultas - Fuligem Sépia 22:44 - Tão Perto - Cabine C 26:20 - Less Than Human - Chameleons UK 30:16 - I Call You - Silent Party 35:24 - Ensis - Disasterpeace 41:59 - Howling - Sparkyboy 46:46 - Bit Shifter - Antenna