Hoje, dia 5 de Outubro de 2007, eu ouvi talvez a música mais linda e tensa que alguém jamais escreveu. Tom Yorke, você se superou, you bastard!
O disco novo saíra um dia antes do aniversário de quem vos escreve (dia 10 de Outubro) e ao que quero acreditar, esse será o disco do ano, quem sabe até da década. Ele está sendo vendido nos moldes do "Qué Paga Quanto?", até de graça tá sendo vendido. Mas calma, o esquema é assim: Você vai no site do In Rainbows e escolhe o que você quer, se quer o discbox ou o download. O download sai dia 10, o disco só chega em dezembro. Bem que eu gostaria do discbox! Vem com o cd em si, o disco em vinil (LP duplo de 12"), mais um cd com mais músicas, a arte do disco e fotos. Mas o discbox custa £40.00 e se eu não tenho nem 40 reais como teria 40 libras? Quem me dera. Um dia, quem sabe, ai já compro o Kid A que sempre vejo na galeria do rock.
Assistam ai a música nova, maravilhosa, chamada Videotape.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Fellini
Esse é o primeiro post da série de bandas brasileiras (especialmente paulistas) de pós-punk. E começando com a que mais traduz o espirito desse gênero musical tão independente e ácido.
O Fellini surgiu, em 1984, como uma forma de Thomas Pappon sair de trás do palco (ele era baterista de duas bandas importantes: Smack e Voluntários da Pátria) para tocar baixo. E nisso Pappon convidou Cadão Volpato pra escrever as letras. Essa dupla, na minha opinião parcial, é uma espécie de Lennon/McCartney do rock brasileiro. E com a adição de Jair Marcos na guitarra e Ricardo Salvagni na bateria, o Fellini (nome retirado do grande diretor de cinema Federico Fellini e/ou do disco dos Stranglers chamado Feline).
Só pra se ter noção, os organizadores das coletâneas que sairam com as bandas de pós-punk oitentista paulistas, pegaram quatro faixas do Fellini: "Zum Zum Zazoeira" e "Rock Europeu" no The Sexual Life of the Savages; "Funziona Senza Vapore" e "Teu Inglês" no Não Wave.
"O Adeus de Fellini", primeiro e irônico disco, foi lançado em 1985 e puxava muito mais pro pós-punk do que os discos seguintes. E por falar nisso, esse é um disco que não deve em absolutamente nada pra grandes bandas dessa época (tanto inglesas como americanas). É um disco com músicas arrebatadoras, letras surreais e violentas (eu vejo seu corpo sendo imolado na tevê) e dá pra sentir na voz de Cadão toda a urgência e tensão que um vocalista de uma banda de pós-punk precisa ter.
No "Adeus de Fellini" eu posso destacar "Rock Europeu", que é a única faixa que o Fellini (quando voltou) ainda tocava, "Bolero 2", que é a minha favorita, "Nada", que fala sobre nada mesmo e "Zaüne", cantada em alemão e escrita por Pappon.
Já "Fellini só Vive 2 Vezes", lançado em 1986, é um disco mais experimental. Fellini, nesse disco, é apenas Cadão/Thomas, sendo que cadão só canta e Thomas toca os instrumentos. Foi gravado num chamado porta-estúdio, com apenas 4 canais. Posteriormente foi mixado num estúdio. Não que isso mude muito! Tem algumas faixas muito interessantes desse disco, que já mostra pra que lado a banda queria trilhar (um "samba do inglês doido", diria eu), como "O Padre Hippie", "Todos os Dias da Semana" e "Tabu".
As letras de Cadão, aqui, tomam um rumo muito mais surreal e poético que no disco anterior. Por Cadão ser um jornalista talvez isso fosse mais fácil do que a gente pensa, não sei. Ele também, como eu li numa entrevista, é um "ultra-romântico" (palavras de Thomas). Nesse disco ainda é sentido a influência do pós-punk com a pitada do samba paulista.
Estamos em 1987 agora, a 20 anos atrás. Nesse ano incrivel, onde foram lançados os discos Substance do New Order e Never Let me Down do Bowie, aqui no Brasil, além de mim, era lançado o disco "3 Lugares Diferentes".
Aqui é impossivel não notar a influencia do Samba (digo, do samba paulista, aquele do Adoniran, trem das 11 horas, sabe?). A gaita é muito utilizada nesse disco, e dá um som muito fascinante pras canções. Imagine "Teu Inglês" sem o solo de gaita?
Logo na primeira faixa, "Ambos Mundos", começa com alguém falando sobre a música e como ela está se tornando fácil ("e se você quer coisa fácil vá trabalhar em banco"). Música não é pros preguiçosos. Tem que batalhar. E eu concordo com tudo isso. E após esse sampler muito bem colocado nós começamos com um solo lindo de gaita e a bateria entra toda pós-punk.
Antes de continuar, quero dizer que esse disco é de uma beleza imensa, com a junção perfeita do pós-punk com a cultura boêmia paulista. Se eu escolhesse um disco pra representar São Paulo, seria esse. Tem a industrialidade do pós-punk, a boêmia do samba paulistano, as letras caóticas como as ruas, e a gaita como parques verdes no cinza absoluto do nosso céu e prédios.
Isso posto, continuo dissertando: "Teu Inglês" é a faixa mais paulista, e a minha favorita do Fellini. "La Paz Song", "Rio Bahia", "Lavore Stanca" e mesmo "Ambos Mundos" servem pra demonstrar a universalidade que São Paulo tem, mesmo não sendo essa a proposta do Fellini (acho que estou delirando, sei lá). "Zum Zum Zazoeira" é a junção perfeita do gênero do Fellini, impossivel não sambar ao som de Zum zum zum zum zum zazoeiraaaa.
O quarto disco da banda, "Amor Louco" (nome de um livro do surrealista André Breton e que traduz bem o disco) foi lançado em 1989. Para a banda, esse disco é o melhor, mas sem tirar o mérito dos outros discos.
Já começa com um pós-bossa-electro em inglês chamado "Chico Buarque Song", uma referência de provavel influencia. Começa maravilhosamente bem. E continua assim, com referência também a Adoniram ("Joga as cascas pra lá"), viagem de LSD e até Deus. E eu imagino: como ninguém nunca tinha pensado nisso antes? Imagine você que ao invés dos Titãs terem virado bregas a la Roberto Carlos eles sugassem o samba paulistano? Ou o Ira? Por mais que eu ame Ira e Titãs, eles são um produto cultural brasileiro, não mais paulista. Fellini se manteve sempre paulistano. Cada música é perfeita pra se ouvir na Avenida Paulista, ou no centro da cidade, na saída do Ibirapuera, perto do Minhocão...
E queria discorrer sobre o último disco do Fellini, "Amanhã é Tarde", mas ainda não o ouvi inteiro. Parece bem mais com The Gilbertos, "banda" de Thomas.
Fellini é uma das bandas mais lo-fi que o Brasil produziu na época em que ser lo-fi era realmente muito mais dificil. E não era lo-fi porque queriam, e sim por necessidade. Eram também independentes, lançaram os três primeiros discos no selo da "Baratos Afins" (localizada na galeria do Rock) e o "Amor Louco" pela Wop Bop.
A banda acabou e voltou inumeras vezes, e o ultimo retorno foi em 2003, no Tim Festival, junto com o White Stripes (que na época bombava como novidade).
Após o fim da banda, Thomas foi morar em Londres e lá montou a banda The Gilbertos. Em 1992 (acredito que quando o Fellini "acabou"), os 3 menos Thomas formaram o Funziona Senza Vapore, banda essa que não durou o ano de 92 e a master do disco foi perdida. Só 10 anos depois a master foi recuperada e podemos ouvir as poesias de Cadão nessa banda interessante que teve até uma faixa que Chico Science fez cover no seu disco mais famoso ("Afrociberdelia").
Planos de retorno, pelo que parece, nunca mais. Fellini só viveu algumas vezes, agora deixem-os descansar e criem suas próprias músicas!
Pra saber mais da história da banda, recomendo:
MOFO - Site bem legal com várias colunas sobre uma porrada de bandas legais.
O Fellini surgiu, em 1984, como uma forma de Thomas Pappon sair de trás do palco (ele era baterista de duas bandas importantes: Smack e Voluntários da Pátria) para tocar baixo. E nisso Pappon convidou Cadão Volpato pra escrever as letras. Essa dupla, na minha opinião parcial, é uma espécie de Lennon/McCartney do rock brasileiro. E com a adição de Jair Marcos na guitarra e Ricardo Salvagni na bateria, o Fellini (nome retirado do grande diretor de cinema Federico Fellini e/ou do disco dos Stranglers chamado Feline).
Só pra se ter noção, os organizadores das coletâneas que sairam com as bandas de pós-punk oitentista paulistas, pegaram quatro faixas do Fellini: "Zum Zum Zazoeira" e "Rock Europeu" no The Sexual Life of the Savages; "Funziona Senza Vapore" e "Teu Inglês" no Não Wave.
"O Adeus de Fellini", primeiro e irônico disco, foi lançado em 1985 e puxava muito mais pro pós-punk do que os discos seguintes. E por falar nisso, esse é um disco que não deve em absolutamente nada pra grandes bandas dessa época (tanto inglesas como americanas). É um disco com músicas arrebatadoras, letras surreais e violentas (eu vejo seu corpo sendo imolado na tevê) e dá pra sentir na voz de Cadão toda a urgência e tensão que um vocalista de uma banda de pós-punk precisa ter.No "Adeus de Fellini" eu posso destacar "Rock Europeu", que é a única faixa que o Fellini (quando voltou) ainda tocava, "Bolero 2", que é a minha favorita, "Nada", que fala sobre nada mesmo e "Zaüne", cantada em alemão e escrita por Pappon.
Já "Fellini só Vive 2 Vezes", lançado em 1986, é um disco mais experimental. Fellini, nesse disco, é apenas Cadão/Thomas, sendo que cadão só canta e Thomas toca os instrumentos. Foi gravado num chamado porta-estúdio, com apenas 4 canais. Posteriormente foi mixado num estúdio. Não que isso mude muito! Tem algumas faixas muito interessantes desse disco, que já mostra pra que lado a banda queria trilhar (um "samba do inglês doido", diria eu), como "O Padre Hippie", "Todos os Dias da Semana" e "Tabu".As letras de Cadão, aqui, tomam um rumo muito mais surreal e poético que no disco anterior. Por Cadão ser um jornalista talvez isso fosse mais fácil do que a gente pensa, não sei. Ele também, como eu li numa entrevista, é um "ultra-romântico" (palavras de Thomas). Nesse disco ainda é sentido a influência do pós-punk com a pitada do samba paulista.
Estamos em 1987 agora, a 20 anos atrás. Nesse ano incrivel, onde foram lançados os discos Substance do New Order e Never Let me Down do Bowie, aqui no Brasil, além de mim, era lançado o disco "3 Lugares Diferentes".Aqui é impossivel não notar a influencia do Samba (digo, do samba paulista, aquele do Adoniran, trem das 11 horas, sabe?). A gaita é muito utilizada nesse disco, e dá um som muito fascinante pras canções. Imagine "Teu Inglês" sem o solo de gaita?
Logo na primeira faixa, "Ambos Mundos", começa com alguém falando sobre a música e como ela está se tornando fácil ("e se você quer coisa fácil vá trabalhar em banco"). Música não é pros preguiçosos. Tem que batalhar. E eu concordo com tudo isso. E após esse sampler muito bem colocado nós começamos com um solo lindo de gaita e a bateria entra toda pós-punk.
Antes de continuar, quero dizer que esse disco é de uma beleza imensa, com a junção perfeita do pós-punk com a cultura boêmia paulista. Se eu escolhesse um disco pra representar São Paulo, seria esse. Tem a industrialidade do pós-punk, a boêmia do samba paulistano, as letras caóticas como as ruas, e a gaita como parques verdes no cinza absoluto do nosso céu e prédios.
Isso posto, continuo dissertando: "Teu Inglês" é a faixa mais paulista, e a minha favorita do Fellini. "La Paz Song", "Rio Bahia", "Lavore Stanca" e mesmo "Ambos Mundos" servem pra demonstrar a universalidade que São Paulo tem, mesmo não sendo essa a proposta do Fellini (acho que estou delirando, sei lá). "Zum Zum Zazoeira" é a junção perfeita do gênero do Fellini, impossivel não sambar ao som de Zum zum zum zum zum zazoeiraaaa.
O quarto disco da banda, "Amor Louco" (nome de um livro do surrealista André Breton e que traduz bem o disco) foi lançado em 1989. Para a banda, esse disco é o melhor, mas sem tirar o mérito dos outros discos.Já começa com um pós-bossa-electro em inglês chamado "Chico Buarque Song", uma referência de provavel influencia. Começa maravilhosamente bem. E continua assim, com referência também a Adoniram ("Joga as cascas pra lá"), viagem de LSD e até Deus. E eu imagino: como ninguém nunca tinha pensado nisso antes? Imagine você que ao invés dos Titãs terem virado bregas a la Roberto Carlos eles sugassem o samba paulistano? Ou o Ira? Por mais que eu ame Ira e Titãs, eles são um produto cultural brasileiro, não mais paulista. Fellini se manteve sempre paulistano. Cada música é perfeita pra se ouvir na Avenida Paulista, ou no centro da cidade, na saída do Ibirapuera, perto do Minhocão...
E queria discorrer sobre o último disco do Fellini, "Amanhã é Tarde", mas ainda não o ouvi inteiro. Parece bem mais com The Gilbertos, "banda" de Thomas.
Fellini é uma das bandas mais lo-fi que o Brasil produziu na época em que ser lo-fi era realmente muito mais dificil. E não era lo-fi porque queriam, e sim por necessidade. Eram também independentes, lançaram os três primeiros discos no selo da "Baratos Afins" (localizada na galeria do Rock) e o "Amor Louco" pela Wop Bop.
A banda acabou e voltou inumeras vezes, e o ultimo retorno foi em 2003, no Tim Festival, junto com o White Stripes (que na época bombava como novidade).
Após o fim da banda, Thomas foi morar em Londres e lá montou a banda The Gilbertos. Em 1992 (acredito que quando o Fellini "acabou"), os 3 menos Thomas formaram o Funziona Senza Vapore, banda essa que não durou o ano de 92 e a master do disco foi perdida. Só 10 anos depois a master foi recuperada e podemos ouvir as poesias de Cadão nessa banda interessante que teve até uma faixa que Chico Science fez cover no seu disco mais famoso ("Afrociberdelia").
Planos de retorno, pelo que parece, nunca mais. Fellini só viveu algumas vezes, agora deixem-os descansar e criem suas próprias músicas!
Pra saber mais da história da banda, recomendo:
MOFO - Site bem legal com várias colunas sobre uma porrada de bandas legais.
domingo, 30 de setembro de 2007
Amanhã já é Outubro!
E Outubro é sempre um mês bom!
Estou um pouco mais empolgado com o blog e vou resenhar os discos do pós-punk brasileiro (Fairy Tales do Harry, O Adeus de Fellini do Fellini e o disco auto-entitulado do Akira S & as Garotas que Erraram) nos próximos posts, espero. Esses discos são muito bons e acredito serem de um valor artistico enorme, só que muito mal reconhecidos pelo público. Assim como este blog. =D
Vou atualizar com mais frequência, prometo!
E LEIAM o post abaixo. Me ouçam, porra!
[ao som de: Fellini - Bolero 2 (minha música favorita do disco)]
Estou um pouco mais empolgado com o blog e vou resenhar os discos do pós-punk brasileiro (Fairy Tales do Harry, O Adeus de Fellini do Fellini e o disco auto-entitulado do Akira S & as Garotas que Erraram) nos próximos posts, espero. Esses discos são muito bons e acredito serem de um valor artistico enorme, só que muito mal reconhecidos pelo público. Assim como este blog. =D
Vou atualizar com mais frequência, prometo!
E LEIAM o post abaixo. Me ouçam, porra!
[ao som de: Fellini - Bolero 2 (minha música favorita do disco)]
Axis Reverb - Cara de pau é pouco!
Pra comemorar um ano de blog (pera, mas já foi!) vou me auto resenhar!
Para quem não sabe, Axis Reverb se consiste em:
Eu, Kurt - Guitarra, Voz, Baixo e em algumas música, Teclado.
Fruit Loops - Bateria, Teclados, Sons legais.
Guitar Pro - composição (as vezes) e no Fake EP é Bateria e sintetizadores.
A idéia da banda surgiu quando, após fazer parte de bandas famosas entre meus amigos de escola, eu decidi que sabia compor e queria fazer isso sozinho, pelo menos até achar gente. Assim surgiu o Interzone. E eu ia compor em português também! E isso foi em 2005. O tempo passou, fui absorvendo mais música. Chegou 2006 e eu com composições prontas, quase formei uma banda. Ela se chamaria Gestapo. Mas não deu certo e fiquei com as composições... já que elas sempre foram minhas né.
Eu desenhei as capas sozinho, na medida de uma capinha de cd. Essa capa ai do lado já foi, existem ainda mais duas, uma já reservada. Além da garota, tem a capa do Minotauro e a do Rádio (cada uma pra uma música do disco).
A gravação do Rainy Cities foi bem simples: em metade do disco improvisei a bateria, gravei baixo e guitarra e voz.
A outra metade foi diferente... as duas sobre laranja mecânica foram gravadas com o som do PC ligado enquanto eu cantava e tocava por cima. Já Troy e Rome eu gravei numa época meio Nirvana, com um violão com três cordas afinadas de uma maneira que eu talvez nunca mais reproduza na minha vida. Diamond é só baixo e reverb. Finalmente, Story of an End eu gravei ao vivo no meu quarto, dá pra perceber os erros, a letra improvisada e etc...
Isso foi entre Junho, Julho e Agosto de 2006. Esse era só o começo.
As datas dos meus mp3 são de 20/07/06 até o dia 03/08/06, e pelo que me lembro foi fácil assim mesmo. Era só gravar voz, e a única que me deu mais trabalho foi a Procession por ter que gravar duas guitarras e a Happy Ending, por todo o processo de música concreta hehehe.
Mas honestamente, baseando-me numa frase de Zaratustra, eu escrevi uma das letras mais legais da minha vida de compositor:
"No species in a mile
Could throw at you a smile
And you hear those songs again
Disabling your mightiest frame
Scratched feathers of fallen angels
Who dances like psychotic maniacs
At the party who's going on downstairs
The Death Dirty Disco is unaware"
Single é uma piada. Single pode ser traduzido como único ou solteiro. Na época eu era os dois. Comecei a trabalhar no disco em Novembro mesmo e em Dezembro um desastre: meu pc queimou a placa mãe, pela segunda vez. Só que desta vez tive sorte e não perdi o HD (da primeira vez que ele queimou eu perdi músicas e projetos muito legais, como o do "Ode aos niilistas e autodestruidores" e o projeto pro Laranja Mecânica. E outras coisas mais, pra sempre perdidas...).
Terminei o disco em Fevereiro mesmo. Nesse disco está a música feita pra dançar: Song to the Cancer Girl, e com o clipe mais legal (e não fui eu quem disse isso) do Axis Reverb. Posso afirmar que quase todas as faixas foram escritas pra garota do signo correspondente, mas eu não conheço uma garota de cada signo então... mas a idéia foi legal, vão dizer que não?
Com vocês, JUMPING WITHOUT PARACHUTES.
Foi gravado num estilo mais folk, voz e violão (e era esse meu intuito, lembram-se desse post? Pois é. Praticamente todos os 5 items foram cumpridos! Isso é ótimo! Só faltou escrever mais aqui, mas ainda faltam 3 meses pro ano acabar!
Voltando, o disco é mais intimista, com músicas que até sua mãe ouviria, eu acho. É um disco menos ruidoso, tirando Non Sense Made I Write This, mas ainda assim é um disco de fácil aceitação. As letras ora são abstratas e surrealistas mesmo, ou dizem o que eu sinto pela Débora. Todo mundo gosta desse disco hahahaha! Ou deveria gostar, apesar de não ser particularmente o meu favorito musicalmente (esse é o Single, mas pode mudar).
O nome do disco foi baseado no email da minha namorada e numa frase que ela disse pra mim uma vez sobre pular sem paraquedas. Foi gravado em um dia, que eu me lembre. Se não no máximo em dois, três. Não passou disso, e não é lenda.
As músicas "JUNKER" e "Run from the Snatcher" foram inspiradas em um dos meus jogos favoritos chamado "SNATCHER", do Hideo Kojima. Uma história meio Blade Runner, só que mil vezes melhor. Pelo menos o personagem principal de Snatcher (Gillian Seed) não é tão boiola quanto o personagem do Harrison Ford (Rick Deckard). Um enredo maravilhoso que eu não pude traduzir pras músicas...
Já "Battlehedgehogs" é uma mistura de dois jogos que eu era fissurado na minha infância: "Battletoads" e "Sonic" (até hoje eu amo Sonic! Mas as versões novas são uma porcaria, eu acho). E finalmente temos a faixa-título, uma odisséia de 9 minutos que deveriam ser transformados em 18 (just like Sister Ray said) e "Octopolis", que era pra ser uma história cyberpunk musicada (minha, que fique bem claro) mas não acredito que tenha dado muito certo.
Candy Flower Napalm foi gravado entre maio, junho e julho, acredito eu... não consigo me lembrar.
As gravações desse disco foram as que duraram mais tempo, pelo simples fato de eu ter criado as canções com base no ritmo da bateria eletrônica. Todas as músicas foram praticamente criadas minutos antes de serem gravadas e eu acredito não lembrar muito bem os acordes corretos e linhas de baixo. Mas eu consegui capturar muito bem o clima da bateria e eu acredito ser um dos discos mais grudentos do Axis, apesar de ser até curto (38 minutos de duração).
Gostaria de destacar algumas faixas: "Storm Waltz" foi uma tentativa de fazer a abertura de disco perfeita. Acho que consegui fazer a divisão do dia chuvoso e crianças correndo, o arco-íris ficando frio e ela comigo na valsa. Na minha opinião totalmente parcial, é um dos versos mais bonitos e profundos que eu já escrevi, talvez:
"Eyes sad like storm
Working in absolute silence
So the rainbow turned cold
But she's with me now on the waltz"
"11/9" não é alusão ao 11 de Setembro. Juro.
"Round" é a música mais interessante pra mim por eu ter pego a letra dela em um caderno antigo de composições. Mudei algumas coisas que estavam erradas e a letra encaixou perfeitamente na música.
"Where the Circus' Gone" é a minha faixa mais pós-punk de todos os tempos. Juro!
"Homesickness Moss" se chamou Red Rug por algum tempo e então eu consegui a letra mais surreal possivel, comigo escapando pelo bastão da polícia elétrica enquanto tambores explodem a porta da frente, sem contar no boneco do incrivel estranho elefante.
E "Northern Cat", "Eternity Rain" e "Begin of a Beautiful Friendship" falam sobre a minha namorada. Pode achar obsessão, mas todo artista tem sua musa inspiradora.
E após o término desse disco sobre guerra, eu quero compor músicas pra São Paulo, e não quero que seja um serviço porco como foram todos os outro 8 discos. Já tenho um nome, e algumas músicas não aproveitadas pro Brief War. Se tudo correr bem, como eu já disse, em novembro termino o Brief War e começo o 9 disco (que até agora se chama "BIG GHOST OF A GREY CITY").
Há também dois projetos paralelissimos do Axis, dos quais um só a minha namorada sabia:
(I'M THE) EGGMAN, que seriam músicas do Sonic com letras bestas, só por homenagem ao meu jogo favorito e AT THE MOVIES, um disco mais experimental com ritmos frenéticos e samplers de filmes que eu tenho aqui em casa. Mas talvez vocês nunca os vejam. O At the Movies tem 5 faixas e eu acho que as utilizarei pra propósitos maiores (pro disco sobre sampa city) e o Eggman será gravado um dia desses e não poderá ser nunca vendido...
Ah! Antes que vocês se perguntem, sim eu fiz tudo sozinho. Sem ajuda de ninguém. 7 discos e EPs, mais de 80 músicas, contando as faixas obscuras que só eu tenho (sem contar covers) e mais de 3 horas de som.
Sim, o esforço é grande, eu nunca fiz um show com o nome de Axis Reverb e eu talvez nunca ganhe nem reconhecimento de algum público com ele. Mas eu fiz minha parte pra fazer a música sobreviver. Quem sabe um dia alguém não me descobre assim, sem querer?
Se você não conhecia e agora quer ouvir:
MYSPACE - Myspace, no qual você pode ouvir 5 faixas!
LAST.FM - site onde dá pra baixar quase tudo do Axis (só não tem, ainda, o Without Parachutes, mas eu logo consertarei esse erro).
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
domingo, 16 de setembro de 2007
Eu odeio setembro
Eu to ensaiando pra escrever aqui faz algum tempo, mas como não há público pra esse blog ele vai continuar desatualizado até meu humor melhorar.
Recomendo uma boa dose de Birthday Party pra vocês.
Recomendo uma boa dose de Birthday Party pra vocês.
sábado, 14 de julho de 2007
The Stooges - Fun House
The FUCKING Stooges
(Ou como fazer o disco de rock perfeito)
Exato. Disco perfeito. Imaginemos quatro garotos loucos de Detroit, uma cidade (na época) conhecida pelas corridas de carros, montadoras de carros, carros, carros. Uma cidade onde não acontecia muito (pelo que parece). Assim como a "biblia" (Please Kill Me) diz, Stooges foram a banda mais animal de todos os tempos. Iggy Pop era um insano afundado nas drogas e o caralho a quatro mas que cantava (e rolava) maravilhosamente bem, na guitarra e bateria os irmãos Ron e Scott Asheton respectivamente, um mais idiota que o outro (não me recordo qual, mas há as histórias nazistas deles) e no baixo Dave Alexander.
Bom, após o fracasso do primeiro disco (ironicamente mixado por John Cale, ex Velvet), os Stooges não sabiam o que fazer e eles entravam de cabeça (pelo menos Iggy Pop e Scott Asheton) nas drogas pesadas. Com toda a farra, drogas, mulheres e o roquenrou, o clima foi sendo lançado pra que os quatro patetas se jogassem no estudio pra gravar seu segundo disco, o Fun House [que era o codinome da casa na qual os Stooges moravam e que servia de quartel general (uma vez literalmente da qual eles tiveram que se esconder lá de uma gangue de motociclistas) pra eles. Lá havia a liberdade, já que eles não pagavam aluguel e a policia provavelmente não passaria por lá (periferia é foda)].
Agora, sobre o disco em si... porrada na orelha. Tente ouvi-lo com o volume baixo.
Tentou? Eu sei que você depois de dois segundo da introdução do disco subiu o volume pro máximo! É praticamente e um pecado não ouvir esse disco no talo pra você perder sua audição. Eu mesmo estou ouvindo agora no máximo e ainda assim queria mais alto porque meus ouvidos ainda não estão sangrando. Outra coisa dessa obra prima é o fato de não ter jeito algum de ficar parado pois todas as músicas são de uma energia incomparavel. A verdadeira e mais crua música dançante de todos os tempos. No disco você ouve solos de furar os timpanos, baterias primais, baixo no tom perfeito pra te dar uma dor de cabeça e as melodias vocais de Iggy na sua melhor (ou pior, depende do ponto de vista) e mais drogada fase, sem contar o sax de Steve McKay (nota: eu não apurei e eu acho que o nome tá errado). A música não foi criada pra fazer as pessoas dançarem? Se esse disco não fizer isso ou pelo menos te fazer vomitar, então você é uma pessoa triste e sem sentimentos e merece morrer. Sério. Every little babe knows what I mean.
Nos velhos moldes, faixa a faixa!
1 - Down on the Street: Melhor abertura de um disco? Talvez perca pro outro disco deles... Riff matador, canção fodástica sobre andar na rua onde os rostos brilham. Puro e verdadeiro rock.
2 - Loose: Pegue um disco de música bonitinha... hehehe. Letra sobre ser um largadão, riff hipnótico, bateria quadrada. Imagine Iggy pop numa sunga prateada coberto de glitter dançando nessa música!
3 - TV Eye: LOOOOOOOOOORD! O que dizer do ápice do minimalismo rock? Pouca letra, pouco riff e o conjunto funciona com pouco, muito pouco. E a música não vai sair da sua cabeça nunca. Serve pra todos os momentos (tv com a namorada, passeando com o cachorro, indo trabalhar, andando de carro, etc)
4 - Dirt: O hino do "Foda-se, eu sou uma merda e não ligo pra você". Você se aceita como é? Bom, Iggy estava sujo e não tava nem ai (e olha que isso não era pouco), então porque você liga? Música de sarjeta nota 10 pra todos os momentos.
5 - 1970: I feel alright! Um soco no cérebro num sábado a noite. Minha favorita depois de TV Eye. O sax no final da música é simplesmente perfeito (notem que nas próximas músicas o sax aparece bastante enquanto nas anteriores ele não aparece).
6 - Fun House: Um chamado da Fun House a todos os heartbreakers. Não sei como descrever essa música! É um jazz abluesado, com o sax penetrando nos timbres por estar num volume mais alto que o resto, iggy pop gemendo e a banda delirando. Uma trepada musical de 7 minutos. Não há o que dizer.
7 - LA Blues: Velvet underground introduziu ao mundo a microfonia (JAMC agradecem até hoje), mas puro lixo inaudivel foi introduzido por essa música e isso antes de Lou Reed se enveredar com o Metal Machine Music (já resenhado por aqui). Sabe quando uma banda de estádio segura o povo no final da música com um crescendo idiota e com todas aquelas paradinhas imbecis? Imagine isso mas desafinado, sem as paradinhas toscas e durando 4 minutos, berros e urros, guitarra (com wah-wah) e baixo sendo destruidos, bateria jazzistica sem noção e o sax num solo improvisado. Aliás, Improviso é a palavra chave dessa música. Se não estiver disposto ao puro som de lixo triturado, termine o disco na Fun House!
E sim, eu acredito que esse seja o penultimo disco de rock da história. O que veio depois é uma mera sombra ideológica do que o rock tinha que ser e ele morreu com os Stooges. É simplesmente tudo o que o rock se propos a ser e que nunca será sequer copiado. É o apice.
Beatles? Não são rock, são arte e eles não faziam nada do que o rock se propunha. Stones? Uns pilantras. Hendrix, Joplin, Morrison? Não me faça rir. Quando se fala de rock sempre se falam desses citados anteriormente, mas os caras mais puros da merda toda foram os Stooges.
E o ultimo disco? Ah, ele se chama Raw Power. Depois dele o resto é mero reflexo distorcido de uma cópia mal feita.
Bom, após o fracasso do primeiro disco (ironicamente mixado por John Cale, ex Velvet), os Stooges não sabiam o que fazer e eles entravam de cabeça (pelo menos Iggy Pop e Scott Asheton) nas drogas pesadas. Com toda a farra, drogas, mulheres e o roquenrou, o clima foi sendo lançado pra que os quatro patetas se jogassem no estudio pra gravar seu segundo disco, o Fun House [que era o codinome da casa na qual os Stooges moravam e que servia de quartel general (uma vez literalmente da qual eles tiveram que se esconder lá de uma gangue de motociclistas) pra eles. Lá havia a liberdade, já que eles não pagavam aluguel e a policia provavelmente não passaria por lá (periferia é foda)].
Agora, sobre o disco em si... porrada na orelha. Tente ouvi-lo com o volume baixo.
Tentou? Eu sei que você depois de dois segundo da introdução do disco subiu o volume pro máximo! É praticamente e um pecado não ouvir esse disco no talo pra você perder sua audição. Eu mesmo estou ouvindo agora no máximo e ainda assim queria mais alto porque meus ouvidos ainda não estão sangrando. Outra coisa dessa obra prima é o fato de não ter jeito algum de ficar parado pois todas as músicas são de uma energia incomparavel. A verdadeira e mais crua música dançante de todos os tempos. No disco você ouve solos de furar os timpanos, baterias primais, baixo no tom perfeito pra te dar uma dor de cabeça e as melodias vocais de Iggy na sua melhor (ou pior, depende do ponto de vista) e mais drogada fase, sem contar o sax de Steve McKay (nota: eu não apurei e eu acho que o nome tá errado). A música não foi criada pra fazer as pessoas dançarem? Se esse disco não fizer isso ou pelo menos te fazer vomitar, então você é uma pessoa triste e sem sentimentos e merece morrer. Sério. Every little babe knows what I mean.
Nos velhos moldes, faixa a faixa!
1 - Down on the Street: Melhor abertura de um disco? Talvez perca pro outro disco deles... Riff matador, canção fodástica sobre andar na rua onde os rostos brilham. Puro e verdadeiro rock.
2 - Loose: Pegue um disco de música bonitinha... hehehe. Letra sobre ser um largadão, riff hipnótico, bateria quadrada. Imagine Iggy pop numa sunga prateada coberto de glitter dançando nessa música!
3 - TV Eye: LOOOOOOOOOORD! O que dizer do ápice do minimalismo rock? Pouca letra, pouco riff e o conjunto funciona com pouco, muito pouco. E a música não vai sair da sua cabeça nunca. Serve pra todos os momentos (tv com a namorada, passeando com o cachorro, indo trabalhar, andando de carro, etc)
4 - Dirt: O hino do "Foda-se, eu sou uma merda e não ligo pra você". Você se aceita como é? Bom, Iggy estava sujo e não tava nem ai (e olha que isso não era pouco), então porque você liga? Música de sarjeta nota 10 pra todos os momentos.
5 - 1970: I feel alright! Um soco no cérebro num sábado a noite. Minha favorita depois de TV Eye. O sax no final da música é simplesmente perfeito (notem que nas próximas músicas o sax aparece bastante enquanto nas anteriores ele não aparece).
6 - Fun House: Um chamado da Fun House a todos os heartbreakers. Não sei como descrever essa música! É um jazz abluesado, com o sax penetrando nos timbres por estar num volume mais alto que o resto, iggy pop gemendo e a banda delirando. Uma trepada musical de 7 minutos. Não há o que dizer.
7 - LA Blues: Velvet underground introduziu ao mundo a microfonia (JAMC agradecem até hoje), mas puro lixo inaudivel foi introduzido por essa música e isso antes de Lou Reed se enveredar com o Metal Machine Music (já resenhado por aqui). Sabe quando uma banda de estádio segura o povo no final da música com um crescendo idiota e com todas aquelas paradinhas imbecis? Imagine isso mas desafinado, sem as paradinhas toscas e durando 4 minutos, berros e urros, guitarra (com wah-wah) e baixo sendo destruidos, bateria jazzistica sem noção e o sax num solo improvisado. Aliás, Improviso é a palavra chave dessa música. Se não estiver disposto ao puro som de lixo triturado, termine o disco na Fun House!
E sim, eu acredito que esse seja o penultimo disco de rock da história. O que veio depois é uma mera sombra ideológica do que o rock tinha que ser e ele morreu com os Stooges. É simplesmente tudo o que o rock se propos a ser e que nunca será sequer copiado. É o apice.
Beatles? Não são rock, são arte e eles não faziam nada do que o rock se propunha. Stones? Uns pilantras. Hendrix, Joplin, Morrison? Não me faça rir. Quando se fala de rock sempre se falam desses citados anteriormente, mas os caras mais puros da merda toda foram os Stooges.
E o ultimo disco? Ah, ele se chama Raw Power. Depois dele o resto é mero reflexo distorcido de uma cópia mal feita.
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