Só há uma palavra pra descrever esse disco. TROPICAL! Eu falei que ia escrever sobre um disco que eu não gostei tanto. Mas eu gosto do Pelican West! O Haircut 100 pra quem não sabe é uma banda de New Wave inglesa, bem no estilão funkeado e mais pop. Esse é o primeiro disco deles e eu gosto bastante dele. Mas não inteiro né. Tem seus pontos fortes e seus pontos fracos, dos quais eu logo mais irei comentar. A banda é aquela tipica banda anos 80. Estranhona, dançavel, divertido. Mas o Haircut tem um plus: Nick Heyward, o vocalista insano. Era ele quem escrevia pérolas como "Porque, Oh, porque, Brigada de Incendio Limão, porque?" e "Eu não consigo tempo, chamando uma vez e chamando de novo no leite filme". Interessante, não? Mas só que existem certas faixas do disco que eu realmente não me interessei completamente. Como a "Baked Bean" (que tem um swing bem cool) e "Surprise Me Again". Mas pra compensar existe três músicas que você precisa prestar uma certa atenção: "Love Plus One", essa que é o segundo single do disco e jogou o Haircut no mainstream, "Favourite Shirts (Boy Meets Girl)", que foi o primeiro single deles, esse não muito sortudo quando o segundo, e "Lemon Firebrigade", que é minha favorita do disco e que realmente lembra um sambinha inglês. Outra música que eu gosto bastante é "Calling Captain Autumn", essa mais roque em alto mar.
E apesar de ser um disco bem funkeado, com um ritmo legal, ele é pop oitentista. E esse é o pecado, na minha visão, da banda. Uma versão praiana/maritma de Roxy Music, talvez. Falando nisso, o Pelican West tem todo esse ar de praia, mar, barquinhos e essas coisas. E isso é o mais legal, talvez o que me ainda interessa nesse disco. Se em certas músicas o saxofonista não soasse tanto quanto Kenny G eu talvez gostasse mais! Mas mesmo isso não tira a minha indicação, pra você garoto ou garota. Já aviso, é pop estranhão dos anos 80, mas é interessante e eu recomendo pra quem gosta de ouvir coisas diferentes.
O Capitão no seu estado mais "pós-punker" possivel
Mas isso não pode ser porque o pós-punk sem ele não existiria!
Falar de Captain Beefheart é algo complexo, assim como sua arte. Nascido nos EUA, mais precisamente na Califórnia, Captain Beefheart (Don Van Vliet pros intimos) é um gênio da música contemporânea. Criou o disco mais bizarro da história da música (Trout Mask Replica [1969]. ouça ele 10 vezes pra começar a achar que compreende...), nunca teve sucesso nem o devido respeito como teve seu amigo Frank Zappa (os dois eram amigos na escola e Frank produziu o Trout Mask Replica) mas é sem dúvida influente no rock feito nos anos 80. Sem aqueles slides, vocais estranhos, tempos bizarros e letras surreais, imagine o pós-punk... nada feito. Desde Pere Ubu, B-52's, Birthday Party até Franz Ferdinand (que cita esse album que eu vou comentar aqui como influencia no segundo disco deles), todo mundo deve a alma musical ao Captain Beefheart e sua Banda Mágica! Don largou a música no disco Ice Cream For a Crow (1982) e foi pintar, seu dom maior. Don Van Vliet compõe como pinta, então imagina só...
Doc At the Radar Station é o meu favorito. Contêm todo lirismo do Captain, as guitarras que parecem estar fora da sincronia, os grunidos/gritos de Don e a bateria tribal fincando o tempo. O disco abre com Hot Head, que dá o tom Beefheartiano do disco. Nas resenhas da época que esse disco foi lançado (1980, pleno auge das bandas inspiradas neles) diziam que era o encontro do Public Image Ltd com Howling Wolf (bluesman, se não me engano inspirou os Rolling Stones [nota mental: parar de escrever sem pesquisar]). Quando eu li isso eu tive que procurar pra ouvir. E não me arrependi. É demais! Mais acessivel, com certeza, que o Trout ou o Lick My Decals Off (1970). Após Hot Head vem Ashtray Heart, ótima música, seguida de A Carrot Is as Close as a Rabbit Gets to a Diamond (lembra nome de música dos Smiths hahaha) que é uma música instrumental maravilhosa, quase um barroco! Run Paint Run é uma viagem do Capitão, já que ele é um pintor (ele largou a música pra pintar no deserto dos EUA, sul da califórnia [onde ele reside] e a capa do disco é uma pintura dele). A minha segunda música favorita desse disco. Segue com Sue Egypt (com direito a flauta/clarinete sei lá), Brickbats (clarinete a la trout e sintetizador perfeito), Dirty Blue Gene (se isso não é pós-punk, não sei mais o que é), Best Batch Yet (puro beefheart), Telephone (o começo me lembra aquelas músiquinhas de comercial americano!), Flavor Bud Living (outra instrumental com a guitarra tocada genialmente) e Sheriff of Hong Kong (quero ver você dançar nessa!). E pra finalizar o disco, a minha favorita: Making Love to a Vampire With a Monkey on My Knee. Ouça num quarto escuro as 2.54 da manhã e você verá um busto do beefheart na parede com um macaco no joelho. Essa é bizarra, mas é minha favorita, é genial. Pense PIL tocando essa música. Seria interessante.
Captain Beefheart é um marco da música. Sabiam que ele é um dos artistas com mais alcance vocal? Ele chega num grave fudido e no agudo consegue quebrar vidro. O cara é foda vai! Mas recomendo a ouvir com a mente aberta, senão fique longe. É muito bizarro, é estranho, mas quando você entende é a melhor coisa do mundo depois dos Beatles no Sgt Peppers. Outro fato curioso sobre a banda é que o clipe de Ice Cream For a Crow foi rejeitado pela MTV por ser considerado muito bizarro. Imaina só! Eu adorei, é bem estranhão, no deserto, mas é super divertido ver Don Van Vliet e seu chapéu caracteristico cantando no meio de cactos e de um trailer (que provavelmente é o dele, não me lembro). Ta ae embaixo pra vocês verem.
Finalizando: Captain Beefheart and his Magic Band não é pra qualquer um. Tenha em mente que você vai invadir território inimigo e vai tomar porrada na cabeça. Mas depois é só "bliss and heaven".
Nota: 5/5.
[PS: To devendo um disco ruim aqui, depois eu posto!]